Como usar a escuta ativa para reter talento, melhorar o ambiente de trabalho e aumentar a produtividade

Como usar a escuta ativa para reter talento, melhorar o ambiente de trabalho e aumentar a produtividade

O problema da comunicação não surge porque as pessoas deixaram de falar, na maioria das vezes, surge porque ninguém tem a certeza de estar verdadeiramente a ser ouvido.

As reuniões acumulam-se, os inquéritos de clima multiplicam-se e as conversas individuais passam a fazer parte da agenda dos líderes, ainda assim, a informação importante não chega a quem decide, os conflitos permanecem latentes e os colaboradores evitam expor dúvidas, erros ou discordâncias, tudo por uma má comunicação.

Escutar ativamente significa prestar atenção à mensagem, procurar compreender o contexto, fazer perguntas, confirmar interpretações e demonstrar o que será feito com a informação recebida

É neste contexto que a escuta ativa deixa de ser apenas uma competência comportamental desejável e passa a ser uma competência de gestão. Escutar ativamente significa prestar atenção à mensagem, procurar compreender o contexto, fazer perguntas, confirmar interpretações e demonstrar o que será feito com a informação recebida, o que é o mesmo que dizer que, a escuta ativa tem efeitos diretos na confiança na liderança, abertura para falar, qualidade do feedback, reconhecimento e segurança psicológica, tudo fatores essenciais para a construção de uma cultura corporativa positiva.

Quando um profissional acredita que vai ser interrompido, desvalorizado ou penalizado por apresentar uma opinião diferente, tende a filtrar aquilo que comunica e desta forma pode deixar de sinalizar um risco, esconder uma dificuldade ou evitar uma pergunta que considera demasiado básica. O resultado não é apenas desconforto individual é também a empresa tomar decisões com menos informação e informação genuína.

Escutar ativamente significa prestar atenção à mensagem, procurar compreender o contexto, fazer perguntas, confirmar interpretações e demonstrar o que será feito com a informação recebida, em alguns casos, é apenas uma equipa que aprendeu que falar não vale o esforço ou pode ter consequências negativas.

Uma equipa silenciosa não é necessariamente uma equipa alinhada

Uma equipa silenciosa não é necessariamente uma equipa alinhada. Em alguns casos, é apenas uma equipa que aprendeu que falar não vale o esforço ou pode ter consequências negativas.

A escuta ativa ajuda a quebrar este padrão porque demonstra que a comunicação não é unilateral e ao fazer perguntas abertas, evitar respostas defensivas e confirmar o entendimento, o líder reduz a distância entre aquilo que o colaborador pensa e aquilo que efetivamente consegue dizer.

Escutar influencia diretamente a qualidade do feedback

Já em relação ao impacto no feedback, é importante refletir que, sem escuta, o feedback tende a transformar-se num diagnóstico unilateral, em que o líder apresenta a sua perspetiva, o colaborador recebe a mensagem e a reunião termina. As razões por detrás do desempenho, as dificuldades encontradas e a perceção do profissional raramente são exploradas, ou seja, o crescimento, a motivação e a produtividade do colaborador estagnam ou descem.

Com a escuta ativa, a conversa segue uma direção diferente, o líder não se limita, por exemplo, a afirmar que determinado resultado ficou abaixo do esperado, procura sim compreender o que aconteceu, quais foram os obstáculos e que apoio poderá ser necessário, há escuta e há diálogo, consequentemente, as expectativas de ambas as partes tornam-se mais claras e aumenta a possibilidade de construir ações de melhoria concretas.

O líder precisa de demonstrar que a mensagem foi compreendida e considerada

Escutar sem responder prejudica a confiança

Existe, no entanto, um risco importante que é confundir escuta ativa com a simples recolha de opiniões.

Aplicar inquéritos, abrir canais de sugestões ou realizar reuniões individuais não garante que os colaboradores se sintam ouvidos, pedir contributos é o mais fácil, o desafio está em saber o que fazer com a informação recolhida e como comunicar o que vai ser feito com essa informação. O silêncio depois de um exercício de escuta pode aumentar o cepticismo e provocar no colaborador o sentimento de que ‘fica tudo na mesma’. O líder precisa de demonstrar que a mensagem foi compreendida e considerada, o que não é o mesmo que dizer que todas as propostas e sugestões são aceites.

Praticar a escuta ativa implica conduzir um processo que inclui explicar o que foi ouvido, quais as decisões que serão tomadas, o que não poderá ser alterado e porquê.

Preparar os líderes para fazer perguntas abertas, reformular mensagens, lidar com discordâncias e conduzir conversas difíceis

O papel dos Recursos Humanos na construção de equipas que sabem ouvir

Para os Recursos Humanos, desenvolver a escuta ativa não deve limitar-se a oferecer uma formação isolada em comunicação. É necessário integrá-la nas práticas de liderança, nos hábitos das equipas e nos processos de gestão de desempenho.

Isto implica preparar os líderes para fazer perguntas abertas, reformular mensagens, lidar com discordâncias e conduzir conversas difíceis. Implica também criar canais seguros para que os colaboradores se possam expressar e estabelecer mecanismos claros de resposta e que sintam que o podem fazer sem desconfiança e desconforto.

A organização pode acompanhar, por exemplo, se os profissionais sentem que as suas opiniões são consideradas, se conseguem falar abertamente com a liderança e se recebem retorno útil depois de partilharem sugestões ou preocupações.

Transformar informação em compreensão e compreensão em ação

Para concluir, a escuta ativa não é em permanecer em silêncio enquanto outra pessoa fala,  consiste sim em transformar informação em compreensão e compreensão em ação.

Num contexto em que apenas 58% dos profissionais dizem confiar no líder e conseguir falar abertamente, escutar ativamente não pode ser abordado como um detalhe de estilo, deve sim ser uma condição para melhorar a comunicação, reforçar a confiança e permitir que as equipas contribuam com tudo aquilo que sabem.

 

 

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