A sustentabilidade começa dentro da empresa: riscos psicossociais e ESG
Durante demasiado tempo, os riscos psicossociais foram tratados como um problema individual, resolvido através de apoio psicológico. Hoje, já não é assim, a agenda ESG obriga a uma mudança de perspetiva e o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores, quando não salvaguardados, são um risco organizacional que compromete pessoas, operação, reputação e sustentabilidade económica.
O bem-estar e a saúde mental dos colaboradores, quando não salvaguardados, são um risco organizacional
O que são afinal os riscos psicossociais?
Quando o ambiente corporativo é ‘tóxico’, o impacto na saúde dos colaboradores e nos resultados da empresa é imediato. Nem sempre se trata de burnout, ansiedade ou depressão, estas poderão ser as consequências de algo mais profundo. Os riscos psicossociais encontram-se, muitas vezes, dentro da empresa e na cultura corporativa dominante:
- Sobrecarga e ritmos de trabalho excessivos
- Falta de autonomia ou de clareza sobre funções
- Horários imprevisíveis e dificuldade de conciliação
- Insegurança contratual
- Assédio, discriminação ou violência
- Falta de apoio das chefias
- Mudanças organizacionais mal orientadas
- Monitorização digital excessiva
- Introdução de tecnologias sem formação ou participação dos trabalhadores
Quando o ambiente corporativo é ‘tóxico’, o impacto na saúde dos colaboradores e nos resultados da empresa é imediato
Qual o impacto que têm na sustentabilidade do negócio
É possível estabelecer uma ligação clara entre riscos psicossociais e consequências para a empresa
- Absentismo e presentismo
- Rotatividade e dificuldade de retenção
- Erros, acidentes e falhas de qualidade
- Quebra de produtividade
- Conflitos internos
- Perda de conhecimento crítico
- Menor capacidade de inovação
- Danos reputacionais
- Deterioração da relação com clientes
O custo da perda de produtividade provocada pelas questões de bem-estar e saúde mental foi de de 13,3 mil milhões de euros
De acordo com o Relatório da Ordem dos Psicólogos, o custo da perda de produtividade das empresas portuguesas devido ao absentismo e ao presentismo causados pelo stress e problemas de saúde psicológica, tem vindo a escalar. Em 2020 esse valor foi de 3,2 mil milhões de euros, em 2022 aumentou para 5,3 mil milhões de euros e em 2024 o custo da perda de produtividade provocada pelas questões de bem-estar e saúde mental foi de de 13,3 mil milhões de euros.
O ponto essencial é este, uma organização não é socialmente sustentável se os seus resultados dependerem de cargas de trabalho, modelos de liderança ou práticas de gestão que desgastem continuadamente as pessoas.





